Um preso que cumpre pena no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira
(IPPOO 2), em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, escreveu
um habeas corpus em um lençol para ser entregue ao Superior Tribunal de
Justiça (STJ). No documento, o detento alega que já teria direito ao
sistema de progressão do regime semi-aberto e pede que o benefício seja
cumprido. Uma pessoa entregou à OAB o envelope com a ''mensagem'' a
pedido do preso.
A petição chegou em um envelope à Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Ceará
(OAB-CE) e foi entregue formalmente ao ouvidor do STJ, ministro
Humberto Martins, nesta terça-feira (20) em Brasília. O documento estava
escrito de caneta da cor azul em dois pedaços de tecido, com cerca de
1,5 m de comprimento. “Em pleno século XXI, voltamos à pré-história,
onde o preso usou uma espécie de pergaminho, uma forma arcaica de
comunicação, para expressar o seu direito, numa época que se vive a era
da tecnologia”, afirmou a ouvidora da OAB-CE, Wanha Rocha.
Segundo Wanha Rocha, o detento pediu a intermediação da ouvidoria da
OAB-CE para que o pedido fosse encaminhado ao STJ. "Ele, provalvemente,
escreveu no lençol porque era a única maneira que encontrou para se
comunicar. Mesmo com as limitações, ele consegui se valer do direito
dele. Em 24 anos de advocacia, nunca vi nada parecido".
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Em nota, a Defensoria Pública diz que assiste o autor do habeas corpus e
que ele "já está em gozo do regime semiaberto desde o ano de 2011, em
face de pedido ajuizado pela Defensoria Pública". O órgão diz que ainda
que o preso já emitiu outros habeas corpus anteriormente e "muitos dos
quais denegados pelas Cortes Superiores".
De acordo com o STJ, na manhã desta quarta-feira (21), o pedido de
habeas corpus escrito no lençol foi digitalizado, seguiu para
classificação e deve ser distribuído ainda hoje para apreciação de um
dos ministros do tribunal.
Segundo o artigo 5° da Constituição Federal, o habeas corpus deve ser
concedido "sempre que alguém sofrer ou achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou
abuso de poder". A legislação brasileira também garante que qualquer
cidadão escreva o pedido sem a necessidade de formalidades nem da
representação de um advogado.
fonte:http://g1.globo.com/ceara/noticia/2014/05/preso-do-ceara-usa-lencol-para-escrever-habeas-corpus-ao-stj.html
fonte:http://g1.globo.com/ceara/noticia/2014/05/preso-do-ceara-usa-lencol-para-escrever-habeas-corpus-ao-stj.html
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